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A evolução das fintechs

O ecossistema de fintechs já soma mais de 600 empresas no Brasil. Há quatro anos, eram apenas 85. O número considera todas as iniciativas que oferecem novas abordagens e modelos de negócios em serviços financeiros, escaláveis pelo uso de tecnologia. Isso inclui meios de pagamento, serviços de empréstimo e bancos digitais, além de hubs, aceleradoras e empresas de tecnologia de eficiência financeira – entre as quais está o GR1D. São, essencialmente, startups que buscam solucionar problemas do mercado financeiro por meio da tecnologia e que estão revolucionando o setor. Os dados foram divulgados pelo Radar FintechLab 2019, que mapeia o cenário das fintechs nacionais e internacionais com atuação no Brasil.

O sucesso dessas empresas não se deu por acaso. As fintechs possuem seus processos baseados em tecnologia, o que permite uma operação mais ágil e enxuta. As análises de dados de usuários para aprovação de crédito, por exemplo, podem ser feitas pelo uso de recursos como geolocalização e estudos de comportamento nas redes sociais – e não apenas por dados tradicionais, como emprego e renda. Essas novas estratégias permitem oferecer serviços mais diversos e mais baratos.

As fintechs também entenderam que sua principal preocupação deveria ser o usuário. Os bancos tradicionais, por muito tempo e até hoje, se concentram demais em garantir a segurança da instituição, criando formas de prevenir fraudes e transações ilegais. Querem evitar ao máximo qualquer tipo de risco ou prejuízo. Já as fintechs são mais flexíveis, utilizam a tecnologia para criar novos tipos de controle que não atrapalhem a navegação do usuário, e estão muito mais preocupadas em trabalhar para oferecer um serviço que transforme clientes em fãs. Fazem isso criando experiências sem fricção, ágeis e acessíveis.

Para os usuários, o ganho também é enorme. Eles não precisam mais ir às agências e esperar em filas, com acesso totalmente digital, e ainda ganham cada vez mais produtos personalizados para suas necessidades.

Verticais de fintechs

Uma grande diferença que ainda existe entre as fintechs e as instituições financeiras tradicionais está no escopo de serviços oferecidos. Enquanto as fintechs geralmente oferecem poucas, senão apenas uma solução específica, os bancos possuem uma carteira de diversos serviços. Assim, as fintechs são divididas em verticais que as diferem de acordo com a modalidade em que atuam.

A maioria delas realiza serviços na área de pagamentos, somando 151 fintechs. É o caso da Stone, adquirente, do DinDin, aplicativo de pagamentos pelo qual é possível fazer transferências peer-to-peer para pessoas físicas e estabelecimentos comerciais, e a Vindi, plataforma de pagamentos online voltada para empresas. Em segundo lugar, estão as 95 fintechs que realizam serviços de empréstimos, como a Mutual, que faz empréstimos entre pessoas físicas, a EasyCrédito, que realiza empréstimos e financiamentos e oferece cartão de crédito por meio de parcerias, e a Creditas, que também utiliza recursos de diferentes fontes para realizar empréstimos com garantia.

Outras verticais de serviços oferecidos por fintechs são investimentos, sendo que muitas utilizam robôs baseados em Inteligência Artificial para analisar o mercado e buscar novas oportunidades de investimentos. Há também gestão financeira, seguros, criptomoedas e negociação de dívidas.

 A categoria bancos digitais, apesar de não ser tão volumosa, é muito relevante no Brasil, contando até com empresas já listadas em bolsa, como o banco Inter. Outro forte player nessa vertical é o Nubank, que começou com a operação de cartão de crédito, mas já oferece conta corrente e, em julho de 2019, anunciou que está testando sua conta para pessoas jurídicas.

Hoje, os bancos e as fintechs não disputam de igual para igual. Enquanto as instituições mais tradicionais possuem uma carteira de produtos mais ampla e alcançam muitos clientes, as fintechs ainda estão ganhando a confiança do mercado e das pessoas, cada uma com seus serviços específicos. No entanto, esse cenário é temporário. Os hábitos de consumo de produtos bancários estão começando a mudar, exigindo um atendimento muito mais prático e de fácil entendimento para os usuários.

Conforme os clientes se tornarem mais exigentes e descobrirem novas maneiras de se relacionar com os produtos financeiros, as fintechs estarão muito mais preparadas para se adaptar a essas transformações e serão concorrentes de peso, atraindo mais usuários e conquistando uma fatia maior do mercado. Os bancos não podem esperar esse momento chegar para se atualizar. A qualidade de atendimento, a agilidade de serviços e o fim da burocracia são necessários hoje para garantir o sucesso futuro. 

*Rogério Melfi, Gerente de Produto no GR1D