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Desafios das instituições financeiras para o futuro pós-Covid-19

Os efeitos da pandemia da Covid-19 foram mais severos do que a crise financeira global de 2008 e até a Grande Depressão de 1929. Os episódios prévios na economia mundial afetaram o mundo: vimos mercados entrarem em colapso e o congelamento das ofertas de crédito em poucos anos. 

Mas nunca uma situação teve um impacto tão meteórico quanto a chegada do coronavírus. Bastaram apenas três meses para que todos os países do globo fossem afetados e precisassem fechar suas economias. 

Ainda é muito cedo para dizer quando a crise será superada, mas há uma certeza: o futuro pós-Covid-19 promete mudanças fortes em diversos setores. No setor financeiro, os bancos precisam se recuperar, adaptar-se e aprender com os problemas enfrentados. 

Mas quais são os atuais desafios? Confira neste artigo!

Resiliência operacional

A resiliência operacional é uma característica que os bancos precisam incorporar em seus modelos de negócio. Significa ser capaz de se preparar e se adaptar a desastres, crises e demais eventos externos.

Uma lição que a Covid-19 reforçou para o setor é ter um plano de gerenciamento de riscos para situações inesperadas, que pegam de surpresa toda a economia. Não é a primeira vez que isso acontece nas últimas décadas, mas a velocidade como tudo aconteceu tornou a situação um desafio sem precedentes.

Neste momento, os bancos precisam continuar suas operações, principalmente por serem o canal do governo para fornecer o auxílio emergencial a trabalhadores informais e famílias necessitadas.

Transformação digital

A transformação digital já era uma necessidade para diversas empresas no mercado, mas agora se tornou caso de urgência, ganhando impulso em ritmo e escala com a pandemia. O futuro pós-Covid-19 já prevê um aumento de ofertas de trabalho no esquema home office  modelo que passou a ser adotado na quarentena.

É um cenário que traz potencial de economia com escritórios menores, funcionários alocados em suas próprias casas e relações de trabalho a distância. Esse é o novo normal no mercado, mas traz um novo desafio: a segurança digital.

Esse é um aspecto que deve preocupar os bancos, principalmente. A cibersegurança deve ser prioridade para as instituições que lidam regularmente com dados de clientes, pois as violações dessas informações são uma ameaça à integridade dos negócios.

A tecnologia para o sistema financeiro traz diversas plataformas para impulsionar a digitalização do setor. O desenvolvimento desses produtos precisa ser realizado com o cuidado necessário para evitar invasões e ataques de pessoas mal-intencionadas. Proteger os dados deve ser prioridade para os bancos e os sistemas financeiros.

Regulamentação do Open Banking

Mesmo diante da pandemia do coronavírus, o tema sobre a regulamentação do Open Banking segue em pauta no Brasil. No começo do mês de maio, o Banco Central anunciou a questão ao lado do Conselho Monetário Nacional (CMN). A projeção é que o modelo esteja em funcionamento até o segundo semestre de 2020.

O projeto dará mais liberdade ao cliente para escolher suas soluções financeiras e mais controle sobre os dados financeiros. Eles terão a vantagem de contratarem produtos, como seguros e convênios, em instituições variadas, sem manter a fidelidade aos bancos de origem.

Para os players do setor, o desafio é se adaptar a esse cenário que deve entrar em vigor em um futuro pós-Covid-19. Eles precisarão entender as novas regras, saber como implementar tecnologia para o sistema financeiro de forma alinhada ao novo modelo e garantir a segurança das informações.

O processo regulatório terá início em novembro e seguirá 4 fases para o compartilhamento de dados. As informações detalhadas estão disponíveis na Resolução Conjunta nº 1 divulgada pelo Banco Central.

Presença dos bancos desafiadores

A quantidade de bancos desafiadores, insurtechs e startups financeiras cresceu muito nos últimos anos, ganhando impulso no cenário de transformação digital que tomou conta do mercado no geral. Instituições que iniciaram seus negócios com a proposta exclusivamente digitais abriram uma vantagem em relação aos bancos tradicionais, mas essa diferença tem diminuído gradualmente.

Se mudar de banco vinha se tornando algo normal e trivial para muitos clientes, a chegada do Open Banking e do Open Insurance tem potencial para reforçar esses valores. Mas quem colocaria como prioridade trocar seu prestador de serviços financeiros neste momento em que a pandemia tanto afeta a economia?

Muitos desafiadores já enfrentam problemas para manter a concorrência e continuar no mercado. Isso porque os clientes precisam, mais do que nunca, de estabilidade em seus bancos.

Nesse sentido, os players tradicionais chegaram a melhorar muito seus serviços digitais. Essas instituições precisaram se esforçar para se atualizarem e se adequarem às demandas do público, adotando vários modelos de tecnologia para o sistema financeiro.

Com esse maior equilíbrio digital entre novatos e tradicionais, os desafiadores ainda têm a desvantagem de oferecer menos empréstimos e estarem mais expostos a elementos externos. Com perspectivas de longo prazo confusas e pouco claras, são players que precisam pensar em novas estratégias, experiências e serviços diferenciados se quiserem garantir espaço no futuro pós-Covid-19.

Atendimento adaptado

Houve uma mudança de paradigma sobre o modelo home office, que passou a ser mais aceito pelas empresas. Mas a crise na economia também trouxe a necessidade de flexibilização da escala de trabalho em muitos setores.

No Brasil, a maioria dos bancos alterou os horários de funcionamento para melhor servir os clientes e adotaram medidas para evitar aglomeração nas agências. Um limite máximo de pessoas foi estipulado, mas também há orientações para que se usem os canais digitais sempre que possível.

Enquanto essa necessidade é específica para o período da pandemia, espera-se que as mudanças continuem quando a crise passar. Espera-se que, no futuro pós-Covid-19, haja estratégias para diminuir os riscos de novas ameaças, garantindo uma distância aceitável entre as pessoas.

Ainda é uma questão incerta como as agências irão se comportar para receber os clientes, mas trata-se de um ponto relevante para os bancos manterem no radar.

Bem-estar dos funcionários

O bem-estar das pessoas também é um tema de relevância para as instituições. No setor financeiro, o estresse relacionado a pressões de metas é uma constante e é preciso ter estratégias para lidar com a saúde dos colaboradores.

Abrir espaço para cuidar da saúde mental ajuda a criar um ambiente de trabalho mais favorável para todos. Além disso, reconhecer os esforços e o bom desempenho também é uma prática importante para um ambiente organizacional equilibrado.

Em tempos de pandemia do coronavírus, o estresse também pode ser causado pela instabilidade da economia, os riscos de salubridade, entre outros pontos. Garantir o bem-estar dos funcionários virou ponto-chave para o funcionamento das agências, mas é um tema que precisa continuar em atenção no futuro pós-Covid-19.

A concorrência entre bancos tradicionais e desafiadores, a adoção de tecnologia para o sistema financeiro, o cuidado com clientes e colaboradores e os demais tópicos deste artigo são os pontos de destaque entre os desafios do setor no Brasil.

Mantê-los no radar e se adaptar aos novos cenários são estratégias imprescindíveis para as instituições seguirem relevantes nos próximos anos. Continue a ler os artigos do blog e confira mais insights sobre o setor financeiro e transformação digital!