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Desbancarizados: quem são os potenciais clientes de serviços financeiros

Quem movimenta uma conta corrente e tem um cartão de crédito e/ou débito não faz ideia do quanto essa é uma realidade exclusiva de uma fatia da população. 

De acordo com o último relatório do World Bank Group, cerca de 1,7 bilhão de adultos permanecem sem banco no mundo todo, aproximadamente cerca de ¼ da população adulta global.

No Brasil são 45 milhões de desbancarizados: ou seja, 1 entre cada 3 brasileiros não movimentam a conta bancária há mais de seis meses ou não possuem vínculo com qualquer instituição financeira. Ainda assim, eles movimentam R$ 817 bilhões ao ano, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva.

Sendo assim, os desbancarizados representam uma grande oportunidade para o mercado bancário. Existem milhões de potenciais clientes que podem ser fisgados por bancos ou fintechs, tornando-se usuários de uma série de serviços financeiros

Quer conhecer o perfil das pessoas “sem-conta”? Confira no artigo! Esse é o primeiro passo para avançar neste mercado inexplorado. 

Por que eles não têm conta em banco?

Certamente, é fácil pensar que a falta de renda é um dos entraves que impedem o acesso às instituições bancárias. 

Em nível mundial, é fato que a maioria dos adultos desbancarizados vive em países em desenvolvimento, como Bangladesh, China, Índia, México, Nigéria e Paquistão. Contudo, o fator nível de renda não é necessariamente o principal empecilho para o acesso aos serviços financeiros. Ainda de acordo com dados do World Bank Group, somente metade dos adultos desbancarizados provêm de famílias mais pobres. 

No Brasil, dos 45 milhões de desbancarizados, segundo o Instituto Locomotiva, 37% fazem parte da classe baixa e 58% têm apenas o ensino fundamental.

Ainda assim, muito além da razão financeira, então, existe uma série de outros motivos que explicam a desbancarização:

A desconfiança em relação aos bancos: muitas vezes, as pessoas já tiveram alguma experiência negativa com instituições bancárias no passado e justamente por isso preferem controlar a vida financeira de outras formas.

Preferência pelo dinheiro vivo: muitas pessoas ainda preferem ter o dinheiro em mãos, para ter mais poder de barganha e de controle. Para  muitos, ter o dinheiro vivo na carteira ou embaixo do colchão passa uma sensação de segurança. O raciocínio é algo como: “aqui ninguém mexe, na conta corrente eu não tenho certeza”.

Altas tarifas: muitas pessoas querem fugir das taxas de manutenção de conta corrente, de anuidade de cartão de crédito e de transações financeiras. Por isso, preferem administrar o próprio dinheiro. 

Distância até as agências bancárias: a distância até o banco mais próximo é outro fator que pode dificultar a bancarização. Especialmente em grandes cidades ir até uma agência exige muito do cliente por conta do tempo dedicado ao deslocamento. 

Fintechs se movimentam para conquistar esse público 

O fato é que o grupo de desbancarizados representa um mercado inexplorado para bancos e fintechs

Contudo, enquanto muitas instituições tradicionais ainda mantêm requisitos que tornam o acesso restrito, como comprovante de renda, as fintechs simplificam o processo de análise de crédito, dispensando esse tipo de exigência.  

O uso da ajuda da tecnologia e o de ferramentas disruptivas, como Big Data, blockchain e inteligência artificial, garante assertividade e velocidade na avaliação do perfil do cliente e em outras transações. As fintechs têm condições de aprovar a abertura de conta em poucos minutos ou, no máximo, em algumas horas.

Com o propósito de prover o acesso aos serviços financeiros para os desbancarizados, surgem startups como o Banco Maré, que atende moradores do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. 

Mais de 20 mil pessoas já usam os serviços financeiros da fintech, que contribui para movimentar o comércio local e facilita o pagamento de contas para os clientes.

Inspirada pelo mesmo propósito, a EasyCrédito também quer descomplicar a vida das pessoas, promovendo o acesso daquelas que ainda não têm conta. 

Para isso, a startup de serviços financeiros usa como estratégia a combinação e análise de dados buscados em diferentes fontes, como SPC, Serasa, IBGE, correios, cartórios, redes sociais, e-mail (tempo de conta ativa), contas telefônicas pré e pós-pagas e informações públicas do governo. Tudo isso permite traçar um perfil do usuário.

Dessa forma, do total de pedidos de empréstimos recebidos, a Easycrédito, que oferece também cartão de crédito,  aprova 32% deles contra cerca de 10% das instituições tradicionais. 

A boa notícia é que a estratégia de bancarização, além de prover o acesso aos serviços financeiros, está trazendo bons resultados: a média de inadimplência das fintechs é 30% menor do que a dos grandes bancos que fica em 5%, segundo o Banco Central do Brasil

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