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Tentativas de fraudes bancárias aumentam na pandemia

Os efeitos e impactos gerados pela pandemia no mercado financeiro são muitos. Embora o setor priorize a jornada de transformação digital há algum tempo, o fato é que o isolamento social impulsionou o uso dos canais digitais pelos clientes. 

De acordo com estudo da Febraban, no primeiro quadrimestre de 2020 o volume de transações nos canais digitais aumentou 19%. No mobile banking, o uso aumentou 22%. Em contrapartida, no mesmo período, as operações registraram queda de 53% nas agências e 19% nos portais de autoatendimento.

Contudo, o amplo uso dos canais digitais também atraiu os fraudadores. Eles têm se aproveitado da sensibilidade dos clientes, em tempos difíceis, para aplicar diferentes golpes bancários.

Neste post, listamos as fraudes mais comuns e mostramos como a segurança da informação pode ajudar instituições financeiras e clientes.

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Com a pandemia, número de transações digitais cresceu 

A transformação digital no setor bancário já estava em curso e em ritmo acelerado mesmo antes da pandemia. Tanto é verdade que, segundo pesquisa da Febraban, em parceria com a Deloitte, em 2019, os bancos investiram 48% a mais em tecnologia para o mercado financeiro. E tem mais: 72% destes recursos foram destinados a inovações com uso de inteligência artificial.

Além disso, ao analisar o histórico das transações bancárias realizadas no mobile banking nos últimos anos, é possível confirmar que a adesão aos canais digitais é crescente. Veja os números, de acordo com a Pesquisa de Tecnologia Bancária da Febraban:

  • 2015: R$ 11,2 bilhões;
  • 2016: R$ 18,6 bilhões;
  • 2017: R$ 25,3 bilhões;
  • 2018: R$ 33,1 bilhões;
  • 2019: R$ 39,4 bilhões.

Já em 2020, com a transformação digital acelerada pela pandemia, a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária apontou que as transações bancárias feitas nos canais digitais, em abril, representaram 74% de todas as operações. Além disso, do total de transações do mês, 67% foram feitas com dispositivos móveis. 

O amplo uso das plataformas - internet e mobile banking - chamou a atenção dos golpistas, que viram no cenário uma oportunidade para aplicar diferentes fraudes. 

Pandemia: principais golpes bancários

De acordo com dados do Dfndr Lab, o número de fraudes bancárias deu um grande salto entre janeiro e julho de 2020. O phishing (do inglês, pescar) avançou 43% em relação ao mesmo período do ano passado.

O avanço expressivo se explica por uma série de fatores, como adesão aos canais digitais, aumento no uso de redes domésticas de conexão e sensibilidade das pessoas. 

Os fraudadores aproveitaram o contexto para aplicar a chamada engenharia social. Na prática, o criminoso entra em contato direto com o cliente, com uma narrativa pronta para fazer uma manipulação psicológica. 

O golpista leva o titular da conta a acreditar que se trata de um contato do banco. Dessa maneira, o cliente é orientado a seguir um protocolo específico, como: compartilhar informações confidenciais, baixar um aplicativo ou efetuar transações financeiras em seu nome. 

Especialmente durante o isolamento social, os fraudadores encontraram as pessoas mais aptas a aceitar atendimento remoto, por exemplo. Entre janeiro e julho, mais de 10 milhões de brasileiros caíram em golpes bancários, de acordo com a Dfndr.

Veja, a seguir, quatro golpes bancários que vêm sendo aplicados:

Apps falsos

Seguindo as instruções de cibercriminosos ou acessando a vitrine da Play Store, os clientes fazem o download de aplicativos falsos, que tornam o smartphone vulnerável. Em abril deste ano, o número de aplicativos falsos nas lojas disparou. O volume chegou a multiplicar 10 vezes no período. Até mesmo apps não oficiais do auxílio emergencial foram criados.

Em junho, foram identificados 47 apps falsos na Play Store, que levaram a 15 milhões de downloads.

Oferta de ajuda

Esse é um golpe clássico. Nele, o fraudador oferece ajuda para a vítima, via telefone ou mesmo pessoalmente, e solicita dados pessoais e de cartão de crédito. Como o cliente precisa de suporte, ele age na boa-fé e “entrega o ouro”.

Contato telefônico ou via Whatsapp

Neste tipo de golpe, os fraudadores entram em contato com o cliente e, normalmente, atrelam seu nome ao de um banco, para ganhar a confiança da vítima. Na sequência, o criminoso solicita dados bancários e pessoais. A narrativa normalmente gira em torno de diferentes situações, como um suposto bloqueio de senha ou movimentação indevida na conta. 

Links maliciosos

De acordo com um levantamento feito pela ESET, o Brasil é líder no ranking mundial de trojans bancários, também conhecidos como vírus “cavalos de Troia”. Eles são instalados nos desktops ou dispositivos móveis sem que o cliente possa perceber. Assim, silenciosamente, os cibercriminosos roubam dados das operações financeiras. Na sequência, podem fazer movimentações bancárias e compras com cartão de crédito, por exemplo.

Tecnologia para o mercado financeiro: como garantir a segurança da informação na internet?

Os bancos vêm investindo pesado em tecnologia para o sistema financeiro. Mas, ainda assim, o uso ostensivo de sistemas de segurança digital não é suficiente. Isso porque os golpistas conseguem abrir caminhos para a fraude quando encontram o usuário disposto a ajudá-los.

Na prática, a ingenuidade e a falta de conhecimento efetivam muitos crimes cibernéticos. Por isso, muito além dos investimentos em soluções de segurança e tecnologia para o mercado financeiro, os bancos e fintechs precisam atuar em outras duas frentes. São elas:

Orientar o cliente

É preciso abordar o cliente, antes que a engenharia social e os fraudadores consigam chegar nele. As instituições financeiras têm o desafio de conversar com cada correntista, orientando-o e compartilhando as boas práticas de segurança.

Afinal, não adianta ter tecnologia de ponta na segurança digital do sistema financeiro, se os usuários não sabem como se proteger. 

Criar instrumento legal

A alta no número de fraudes bancárias se dá também pela impunidade. É urgente a aprovação de um mecanismo legal que seja capaz de tipificar a fraude digital bancária como crime. 

O Projeto de Lei n° 2638/2020, elaborado pelo deputado Marcelo Ramos (PL/AM), visa, justamente, preencher essa lacuna. O sistema financeiro aguarda a tramitação e a aprovação do PL.

Certamente, essa é uma medida que visa proteger todos aqueles que usam os serviços e transações bancárias.